Universo Fesânico

literatura, cinema e inomináveis… a ótica fesanica das coisas.

20.5.09

Avesso

 

Um exército de infaustos, aguarda passivo e silencioso
a chegada do messias.
Se alvoroçam a cada galho que se quebra.
Animam-se cheios de esperança ao ouvir o barulho que chacoalha o mato.
Mas nada existe lá!
É só fruta que apodrece no outono. Aos poucos morre a espera.
Áspera falta de esperança no olhar.
Onde está o salvador? Os seres superiores que nos salvam de nos mesmos?
Daqui vejo alguns. Conversam felizes. Sinto o frescor de suas palavras, alegria que mora no banal.
Não pedem, exigem!
Não se desculpam, pois não foram criados para errar;
Não pensam, já são superiores.
Não agradecem, jamais precisariam de alguém.
Não conquistam, pois, tudo já lhes pertence.
Não criam, tudo lhes foi feito.
Não reivindicam, festejam.
Não protestam, comentam.
Agridem, por serem passivos.
Humilham, por quererem respeito.   
Discursam o superficial, por serem especialistas,
São demais, superiores, humanos.
Enquanto isso, os imperfeitos produzem.
Martelam dia à dia a chapa da civilização.
Buscam a compensação de sua genética falha
executando obras de precisão ovalar.
Sentenciam-se as mais duras penitências com pouca voz.
Não são iguais aqueles de quem se espera salvação.
Pobres,
Quase egoístas,
Quase avarentos,
Quase hipócritas,
Quase estúpidos,
Quase fracos,
Quase medíocres,
Quase humanos.
Só os salvadores são humanos,
Pobres são santos!
Mas onde moram os santos?
Em pequenas casas de madeira em remendo,
com janelas improvisadas e cortinas coloridas,
ruas de pedra, terra e poesia.
Misturadas ao esgoto que faz trilha imitando rio,
que é brinquedo de crianças descalças
apostando corrida de palito.
Que é pânico de pais aflitos.
Os santos moram no espaço que sobrou.
No pouco que restou.
Moram enquanto der,
o quanto puder.
Se algo sair errado, pobres santos,
do nada são despejados.
Moram lá os santos, em qualquer lugar.
Onde ninguém mais quer morar.

 

 

 

Helton Fesan

Publicado em Cadernos Negros 27 - Quilombhoje

criado por helton.julio    11:27 — Arquivado em: Prosa e Poesia, literatura, quilombhoje

CORRA MULHER

 

(homenagem à Casa Cinco)
 
Corra mulher, corra pois não há tempo !
De nada te esqueça
Nem das tranças de tua cabeça
Nem dos botões que te ajudam
Nem da linha que te segura,
Pano que tudo cobre
Agulha que te fura
 
Corra mulher, pois sabes de tua urgência
Dos pequenos que te consomem
Amantes que de ti somem
Levando-te a penitência
Sei de tua paciência,
Mas não agora ,
Mova-se ligeira e sensual
Luta ! e luta com revolta
Para ti não há jamais
Debaixo de teus pés
Mora pó e satanás
 
Corra mulher, corra
Pois clama o mundo por tua salvação
Da força de teu olhar
Do apelo de teu falar
Do sensível coração
 
Corra e alcança o que é vosso
Alicerce de todo um povo,
Gotejar de intenso gozo
Deleita-te sem ter remorso

 

Helton Fesan - publicado em Cadernos Negros 27 - Quilobhoje

criado por helton.julio    10:49 — Arquivado em: Prosa e Poesia, literatura, quilombhoje

23.4.09

Edições Toró e a Livre Iniciativa

 

 
Este post é um pedido de desculpas para minha consciência. Divulgo aqui um trabalho que julgo essencial no país: o da livre iniciativa.
Não da livre iniciativa puramente capitalista, mas a do direito superior e universal de cada pessoa fazer por si mesma.
Entendam que iniciar-se livremente é algo necessário para a formação adequada do povo. Poder começar algo, empreender–se por caminhos diversos, transformar, dar vida as coisas.
Edições Toró é o exemplo de livre iniciativa do povo. Pessoas que entenderam que a literatura é importante e resolveram tocar um projeto editorial adiante. Novos poetas, novas atitudes, novas ciências.
Não é programa do governo, não é assistencialismo, não é paternalismo… São pessoas que acreditam em uma idéia e se propuseram a executa-la com qualidade.
 
 
 
O livro Punga é apenas um exemplo do trabalho espetacular desenvolvido.
 
Façamos o seguinte, não irei detalhar o projeto nem citar os nomes das pessoas (que são amigas e extremamente competentes) deixarei para que vocês tomem a livre iniciativa de viajar no espaço da Edições Toró
 
 
Deixo apenas uma amostra
 
Despenca toró, despenca.
Lágrima safada, suor cabreiro,
saliva calorenta.

 

criado por helton.julio    13:34 — Arquivado em: Prosa e Poesia, consciencia negra, literatura, quilombhoje

17.4.09

ANTOLOGIA DELICATTA IV

 
Publicação do livro " ANTOLOGIA DELICATTA IV"
 
CONTO, CRÔNICA, POEMA LIVRE, HAICAI, TROVA E SONETO
 
Veja o Regulamento no site
 
 
ENTRE EM CONTATO E PARTICIPE!!!
 
VEJA AS FOTOS DOS LANÇAMENTOS ANTERIORES
 
 
VEJA O VÍDEO DE LANÇAMENTO DA ANTOLOGIA DELICATTA III NA BIENAL
 
 
 
Dúvidas com Luiza Moreira a simpática organizadora do projeto
 
poetasbrasileiros@terra.com.br
 
dellicatta@terra.com.br

 

criado por helton.julio    13:32 — Arquivado em: Prosa e Poesia, Sem categoria, crônicas, literatura

9.2.09

Consumindo Consuelo

Geralmente é assim
Ela chega dá as cartas e segue
consumando o que consegue
Eu apenas sigo,
De que adianta queixar-me
Esbravejar,
Apenas faço constar
Consuelo…
Muito mais que Rainha do lar
Hoje, é produtiva, consumidora exigente
Circulante absoluta do Paraíso Shopping Center
Acha que é exagero?
Ah! Vocês não conhecem Consuelo

Na loja, o primeiro degrau
Puxa pano, vê o ziper
O gerente: seu rival
Consuelo bate o pé
Exige preço e produto
Idênticos ao do comercial
E eu ali sentado,quase passando mal
Finda a guerra, Consuelo é um espanto
Consegue a roupa o brinde e o desconto!
Penso: Agora, finalmente pra casa e pro sossego…
Ah! Vocês não conhecem Consuelo

O dia esta longe de terminar
Pra ela uma aventura
Pra mim, tortura.
Carrinho, caixa, sacolão
É hora do Kit Alimentação
Pimentão, cebola, tempero
Do nada, vem um carrinho
E bate no meu joelho
A roda trava, a fila cresce
E meu filho chora e berra por brinquedo
Me falta o ar, fico nervoso
Onde se meteu Consuelo?
Adivinha!
Reclamando
Porque o tomate não tá vermelho.

Bom … duas semanas depois
Eu em casa na sala
Consuelo no banheiro
Longe do shopping, do mercado
Única coisa que consumo
É um Corinthians contra o Cruzeiro
Vou pra cozinha atrás da “boa”, da “redonda”
Qualquer uma desde que tenha gelo
Na volta deparo com as notícias
Fresquinhas do correio
Adivinha!
A fatura do cartão
Olho, mas tenho medo

Depois de abrir, eu fico roxo, verde
E vai me subindo um azedo
E não dá nem pra pagar depois
Senão é juros, mora e vai adentro
Uma raiva
E quem entra na sala?
Consuelo!
Só de toalha, chinelo, joelho e tornozelo
Eu estava quase estourando
Mas sabe…
Vocês não conhecem Consuelo
Se conhecessem
Diriam bem alto e sem medo
CONSUMO E CONSUMO MESMO!

Helton Fesan

criado por helton.julio    12:26 — Arquivado em: Gestão de Pessoas, Prosa e Poesia, literatura

Posts mais antigos »
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://heltonfesan.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.