2.2.09
SEJAMOS PORNOGRÁFICOS

Se você é menor, saia agora desta crítica, pois perderá seu tempo se está procurando sacanagem!
O convite do título não se aplica a menores, trata-se de algo sério (pra não dizer chato), tipo conversa de adulto. Para dar mais embasamento e um certo ar de erudição para o texto, permito-me a citação de Carlos Drummond de Andrade:
“Em Face dos Últimos acontecimentos
Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Por que seremos mais castos
Que o nosso avô português ?
Oh ! sejamos navegantes,
bandeirantes e guerreiros,
sejamos tudo que quiserem,
sobretudo pornográficos.”
Drummond sabia das coisas, talvez já tivesse previsto o sucesso da Indústria do Cinema Pornô Mundial. Aliás, mundial e universal, já que estes filmes carregam o mérito de se comunicar com todos os seguimentos sociais. No pornô não existem excluídos. Sem a necessidade de cotas encontramos negros, loiros, anões, obesos, asiáticos, gays, lésbicas, mocinhos, canalhas, gênios e dementes. Todos os tipos de homens e mulheres são representados.
Até as feministas e os conservadores, que abominam a indústria pornográfica, têm seus auto-egos contemplados em singelos filmes de entretenimento adulto.
Exemplo disto é Linda Lovelance, hoje “de cujus”, outrora festejada por sua elasticidade oral no comprometedor “GARGANTA PROFUNDA”.
A mocinha, acordou em um belo dia e pensou que pornografia não era legal, revoltada, decidiu meter a boca ( `~´ ) e tornou-se feminista. Escreveu um livro, e pregou ferozmente contra a maléfica indústria pornô.
Mas o pornô não é feito só de ódio, ele também realiza sonhos, como o do cabeleireiro frustrado Gerald Damiano, que sonhava em fazer cinema e, acreditando em seu sonho, filmou Garganta Profunda em seis dias, com US$ 25 mil. O mundo do cinema ganhou seu maior sucesso de bilheteria quando o filme
faturou US$ 600 milhões. Mas não pensem que Gerald tornou-se milionário, como no ditado, a máfia dá a máfia tira.
Histórias curiosas deste mercado curioso estão sendo cada vez mais discutidas no mundo do cinema convencional. Já foi rodado o documentário "Inside Deep Throat", algo como “Por dentro da Garganta Profunda”, que causou extremo interesse no Festival de Berlim. Aliás, no ano anterior no mesmo festival, o filme vencedor, “Contra Parede”, trazia como atriz principal a Jovem Sibel Kekilli, que antes deste, fez filmes, digamos, menos convencionais.
De fato a Indústria Pornográfica já exerce forte influência no cinema, que vem bebendo desta fonte já há algum tempo. É comum vermos filmes sobre o mercado pornográfico como o americano “Boogie Nights - Prazer sem limites” de Paul Thomas Anderson e o inglês “A vida desta Garota” do novo diretor Ash, Meus preferidos são Kan ParK de Larry Clark e Edward Lachman e 9 canções de Michael Winterbottom.
Já outros, não tratam diretamente sobre o tema, porém o cita como referência sexual, como os espanhois “Lucia e o Sexo” de Julio Medem e “Torremolinos 73” de Pablo Berger.
Esses filmes revelam que o pornô está em voga. Há no ar, uma certa vontade de derrubar o muro que separa a “Liberdade” de sua irmã “Libertina”. Parece que a ordem do momento é quebrar tabu, o que já descobriu-se, ser um negócio lucrativo.
É do mercado pornográfico que holliwood vêem tirando preciosas lições de marcketing e, dentre elas, uma das mais utilizadas é a de ver celebridades, atrizes e atores com carreiras sólidas, flertarem com filmes que os coloquem em situações explicitas. “Monster´s Ball” aqui traduzido como “A Última Ceia” é o que pode ser chamado de filme sério, o que não o impede de trazer cenas sexuais com a ganhadora do Oscar, Halli Berry, que poriam no chinelo qualquer sessão de “Hot Max”. A receita é antiga e tem outros ingredientes, Sharon Stone, Jacke Nicholson, Demi Moore e outros já tiraram casca do filão, mas há quem tenha ido mais fundo, como o “Garanhão Italiano” Sylvester Stalonne, que iniciou a carreira protagonizando um pornô de mesmo nome.
Umas das regras para utilizar-se do marcketing pornográfico é reafirmá-lo como marginal ou marginalizado, o que não se sustenta em análise mais profunda. Um mercado que produz, só nos estados unidos 11.000 (onze mil) filmes por ano, não pode ser dito marginal. Mas é este efeito subversivo que impulsiona o fetiche do consumidor e quanto mais proibido, melhor. Há quem diga, que aproveitando este forte apelo de propaganda, as atrizes (: p) Pamela Anderson e Paris Hilton, meio que deixaram vazar vídeos caseiros explícitos e com isso deram uma levantada na carreira. Nosso exemplo tupiniquim fica por conta do bombado Alexandre Frota e da musa do Chacrinha Rita Cadillac, seguidas depois por Grethen e família e, claro, mais recente, a ex global Leila Lopez.
O Brasil pode se orgulhar (?) de suas revelações neste setor com direito a prêmio de melhor atriz para Mônica Mattos lá na terra do tio Sam. Mais recente, o diretor Steven Soderbergh escolheu a jovem atriz pornô Sasha Grey (foto) para protagonizar seu próximo filme, "The Girlfriend Experience".
O cinema pornográfico também é o grande utilizador do digital, o que barateia suas produções proporcionando um retorno mais rápido. Em algumas produções ainda existe uma certa preocupação com o roteiro como as do diretor italiano Mario Sallieri, já em outras, como os famosos Butmans, o roteiro funciona como em um “reallity Show” onde a finalidade é o sexo pelo sexo fazendo um tipo de cinema direto. Apesar da elaboração de certas produções (algumas até bem caras), os produtores de cinema adulto não se iludem quanto aos seus objetivos: vender e lucrar.
A questão é: Uma produção tão imediatista, barata e objetiva, pode ser considerada cinema? E se não o é, por que não?
Por hora finalizamos com Drummond:
“(…)Propõe isso a teu vizinho,
ao condutor do teu bonde,
a todas as criaturas
que são inúteis e existem,
propõe ao homem de óculos
e à mulher da trouxa de roupa.
Dize a todos: Meus irmãos,
não quereis ser pornográficos?”


criado por helton.julio
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