3.9.09
PARA VEJA E DEMÉTRIO “HITLER” E “MALCON X” SÃO FARINHA DO MESMO SACO.
E vamos nós de novo e novamente no engodo do Magnoli.
Ao estilo Veja, (que sempre mostra uma única versão dos fatos – a dela) Demétrio Magnolli lança seu livro “Uma gota de sangue” na qual usa o argumento válido da inexistência de raças para validar o engodo da inexistência de racismo no Brasil.
Afirmando que os defensores de cotas raciais são racialistas e que, em curto prazo, iremos introduzir a idéia de existência de raças na população e isto irá gerar ódio e separação entre as pessoas.
O repórter da Veja Diogo Shelp (aqule que não gosta do Che) , terminou a matéria com o infantil e apelativo “não, não e não” para este perverso preço a ser pago em nome das cotas.
Não resisti e contei o número de negros que aparecem na edição da indignada revista Veja. Em 143 páginas (contando capa e contra capa) e em um universo de mais de 150 fotos consegui contar 06 (seis) negros, e 04 (quatro) destes estavam na reportagem sobre as cotas, 01 (um) era a representação de um africano e outra era a presença celebrada de Marina Silva.
Não contei Michael Jackson e Cris Brow, já que ambos estão fora de cena: um é de cujos e outro esta sendo preso. A Veja e suas repórteres não parecem se incomodar com tal desproporção é algo tido como natural :(.
Não, não e não para Diogo Shelp e o próprio Demétrio, que conseguiram criar um paralelo entre Adolf Hitler e Malcon X, colocando-os no mesmo time de racialistas. Para eles são farinha do mesmo saco.
Não conseguem diferenciar os momentos históricos e ideológicos dos dois personagens e cometem a imperdoável gafe.
A reportagem foi das repórteres Marina Yamaoka (USP, ECA, bolsista da FAPESP) e Nathália Butti (Cásper Líbero, Letras USP e ex-Relações Internacionais na PUC-SP), que não deixaram opinião sobre o tema mas passam a contar com a mácula dessa matéria em seus curriculos.
Já cansamos de corrigir e alertar, mas nunca é demais, visto que Demétrio não cansa de errar (propositalmente?).
Do ponto de vista genético o conceito de raça não existe e todos concordam com isto. Porém, existe, e de maneira muito intensa o racismo.
Demétrio acerta quando diz que a discussão é ideológica, pois, o racismo, é estritamente ideológico. Justificativas cientificas nunca foram o cerne para uma ideologia racial, estas apropriam-se de qualquer argumento que atenda a mantença do status quo da classe dominante.
O jogo de poder de quem domina é cruel e injustificado. Eu mereço estar no poder porque sou branco; eu mereço estar no poder porque deus quis; eu mereço estar no poder porque sou pensante; eu mereço estar no poder porque tenho poder; eu mereço estar no poder porque tenho armas; eu mereço estar no poder porque sou deus…
Qualquer argumento serve para se perpetuar no poder por gerações e gerações ad infinitum.
Daí a discussão ser ideológica, sendo mera falácia o argumento científico da existência ou não existência de raças. Demétrio mistura as ciências (políticas sociais e genética) para confundir o debate e, em verdade, nada diz que acrescente.
A própria revista Veja não consegue fugir de dados assustadores sobre a discussão racial: “apenas 7 em cada 100 negros que entram na faculdade, conseguem adquirir o diploma”; “Para a mesma função um branco ganha 1000 reais enquanto o negro apenas 574 reais”, e isto é contabilizado como avanço.
“Em média os negros só concluíam a 4ª série do ensino fundamental. Agora, chegam a cursar a 6ª série”, isto com uma política de aprovação automática que já sabemos, só serve para melhorar estatísticas. - Fonte: revista Veja ´~`.
A crueldade destes argumentos são tão absurdamente sem limites que chegam ao ridículo.
A matéria trouxe o exemplo da política do Itamaraty que desde 2002 mantém bolsas de estudo para afrodescendentes (que a revista fez questão de por entre aspas). O exemplo trazido das duas candidatas é perfeito para ilustrar a políticas de cotas que não se destina a distribuir renda, mas sim a combater o racismo no campo ideológico. Se a candidata declarou que nunca sofreu racismo, declarou também que não foi prejudicada pelo sistema de exclusão do negro, sendo assim, não há porque beneficiá-la com esta política.
Claro que muitos não admitem, mas, seria desejável uma reflexão pessoal no sentido de se responder: eu me identifico com a cultura, costumes e história da população negra ou estou apenas aproveitando a cor da minha pele para receber um benefício?
Então chegamos a este ponto. A política de cotas é ideológica sim, pois toda política é ideológica inclusive o mito (cultural e não genético) da mestiçagem e da democracia racial no Brasil. Vide o número de negros em destaque nas edições da revista Veja que inclusive, soube identificar perfeitamente quem é negro na escolha de suas fotos.
Lerei o livro do Sr. Demétrio, que já se anuncia com premissas enganosas, e, quiçá, uma luz se acenda no caminho do sociólogo e diga:
“Demétrio, Demétrio… porque tu me persegues? Vou te deixar cego e quando voltardes a enxergar, chamar-te-ão de Dimas.”
Helton Fesan



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