Universo Fesânico

literatura, cinema e inomináveis… a ótica fesanica das coisas.

3.9.09

PARA VEJA E DEMÉTRIO “HITLER” E “MALCON X” SÃO FARINHA DO MESMO SACO.

 

E vamos nós de novo e novamente no engodo do Magnoli.

Ao estilo Veja, (que sempre mostra uma única versão dos fatos – a dela) Demétrio Magnolli lança seu livro “Uma gota de sangue” na qual usa o argumento válido da inexistência de raças para validar o engodo da inexistência de racismo no Brasil.
Afirmando que os defensores de cotas raciais são racialistas e que, em curto prazo, iremos introduzir a idéia de existência de raças na população e isto irá gerar ódio e separação entre as pessoas.
O repórter da Veja Diogo Shelp (aqule que não gosta do Che) , terminou a matéria com o infantil e apelativo “não, não e não” para este perverso preço a ser pago em nome das cotas.
Não resisti e contei o número de negros que aparecem na edição da indignada revista Veja. Em 143 páginas (contando capa e contra capa) e em um universo de mais de 150 fotos consegui contar 06 (seis) negros, e 04 (quatro) destes estavam na reportagem sobre as cotas, 01 (um) era a representação de um africano e outra era a presença celebrada de Marina Silva.
Não contei Michael Jackson e Cris Brow, já que ambos estão fora de cena: um é de cujos e outro esta sendo preso. A Veja e suas repórteres não parecem se incomodar com tal desproporção é algo tido como natural :(.
Não, não e não para Diogo Shelp e o próprio Demétrio, que conseguiram criar um paralelo entre Adolf Hitler e Malcon X, colocando-os no mesmo time de racialistas. Para eles são farinha do mesmo saco.
Não conseguem diferenciar os momentos históricos e ideológicos dos dois personagens e cometem a imperdoável gafe.
A reportagem foi das repórteres Marina Yamaoka (USP, ECA, bolsista da FAPESP) e Nathália Butti (Cásper Líbero, Letras USP e ex-Relações Internacionais na PUC-SP), que não deixaram opinião sobre o tema mas passam a contar com a mácula dessa matéria em seus curriculos.
Já cansamos de corrigir e alertar, mas nunca é demais, visto que Demétrio não cansa de errar (propositalmente?).
Do ponto de vista genético o conceito de raça não existe e todos concordam com isto. Porém, existe, e de maneira muito intensa o racismo.
Demétrio acerta quando diz que a discussão é ideológica, pois, o racismo, é estritamente ideológico. Justificativas cientificas nunca foram o cerne para uma ideologia racial, estas apropriam-se de qualquer argumento que atenda a mantença do status quo da classe dominante.
O jogo de poder de quem domina é cruel e injustificado. Eu mereço estar no poder porque sou branco; eu mereço estar no poder porque deus quis; eu mereço estar no poder porque sou pensante; eu mereço estar no poder porque tenho poder; eu mereço estar no poder porque tenho armas; eu mereço estar no poder porque sou deus…
Qualquer argumento serve para se perpetuar no poder por gerações e gerações ad infinitum.
Daí a discussão ser ideológica, sendo mera falácia o argumento científico da existência ou não existência de raças. Demétrio mistura as ciências (políticas sociais e genética) para confundir o debate e, em verdade, nada diz que acrescente.
A própria revista Veja não consegue fugir de dados assustadores sobre a discussão racial: “apenas 7 em cada 100 negros que entram na faculdade, conseguem adquirir o diploma”; “Para a mesma função um branco ganha 1000 reais enquanto o negro apenas 574 reais”, e isto é contabilizado como avanço.
“Em média os negros só concluíam a 4ª série do ensino fundamental. Agora, chegam a cursar a 6ª série”, isto com uma política de aprovação automática que já sabemos, só serve para melhorar estatísticas. - Fonte: revista Veja ´~`.
A crueldade destes argumentos são tão absurdamente sem limites que chegam ao ridículo.
A matéria trouxe o exemplo da política do Itamaraty que desde 2002 mantém bolsas de estudo para afrodescendentes (que a revista fez questão de por entre aspas). O exemplo trazido das duas candidatas é perfeito para ilustrar a políticas de cotas que não se destina a distribuir renda, mas sim a combater o racismo no campo ideológico. Se a candidata declarou que nunca sofreu racismo, declarou também que não foi prejudicada pelo sistema de exclusão do negro, sendo assim, não há porque beneficiá-la com esta política.
Claro que muitos não admitem, mas, seria desejável uma reflexão pessoal no sentido de se responder: eu me identifico com a cultura, costumes e história da população negra ou estou apenas aproveitando a cor da minha pele para receber um benefício?
Então chegamos a este ponto. A política de cotas é ideológica sim, pois toda política é ideológica inclusive o mito (cultural e não genético) da mestiçagem e da democracia racial no Brasil. Vide o número de negros em destaque nas edições da revista Veja que inclusive, soube identificar perfeitamente quem é negro na escolha de suas fotos.
Lerei o livro do Sr. Demétrio, que já se anuncia com premissas enganosas, e, quiçá, uma luz se acenda no caminho do sociólogo e diga:
“Demétrio, Demétrio… porque tu me persegues? Vou te deixar cego e quando voltardes a enxergar, chamar-te-ão de Dimas.”
 
Helton Fesan
criado por helton.julio    12:29 — Arquivado em: Gestão de Pessoas, charges, consciencia negra, crônicas, direito, quilombhoje

14 Comentários »

  1. Comentário por Lilian dos Santos — 3.9.09 @ 16:00

    Helton mais uma vez meus parabéns, eu não li a Veja em questão mas os seus comentários não deixa dúvida de que foram infeliz na matéria e muito infeliz em comparar Hitler a Malcon X, é uma pena que profissionais assim tenham espaço na mídia, ou melhor que a maioria dos que tem espaço na mídia sejam desta “Casta infeliz”.

  2. Comentário por Queridona — 3.9.09 @ 21:27

    Queridão; estou postando seu texto na integra em meu blog. Tudo porque ir contra as políticas de cotas é estar renegando nosso passado e ridicularizando nossos valores ideológicos; visto que muitos, ainda, não têm consciência sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. Só é possível entender nossas origens e cultura se primeiro entendermos que todos somos negros.
    A meu ver a cultura brasileira deveria ser reconhecida e valorizada como cultura afro-brasileira.

    Li uma vez um texto que abordava a opressão e as injustiças advindas da escravidão, no qual questionavam a história do Brasil como se tivesse sido construída somente pelos europeus e seus descendentes. Imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares entre outros que foram sempre considerados heróis nacionais. E é a mais pura verdade; a população, não posso dizer toda mas grande parte dela, ainda, vê e pensa assim. É triste nossa realidade, porque enxergamos o quanto às pessoas são pequenas nesse sentido. Tenho pena desse tipo de gente, porque é uma questão de analise e fato; simples assim. Onde estão nossos heróis negros? Não existem? Os negros nunca fizeram nada? Na construção histórica cultural e social brasileira os negros só foram escravos e ponto final?
    Quanto à educação chega ser vergonhoso observar que nos livros de história, por exemplo, o negro aparece somente em dois momentos: ao falar de abolição da escravatura e do apartheid”. O mínimo de comprometimento educacional esperado, tanto por parte dos educadores quanto do conteúdo dos livros didáticos, é que precisariam abordar a participação do povo negro na construção do país, na construção da riqueza nacional, na acumulação do capital e também as suas batalhas, rebeliões, quilombos e suas lutas mais contemporâneas. Podemos ir além, não há uma verdade absoluta, mas maneiras diversas de sentir a realidade. É fundamental questionar o nosso presente, no caso do Brasil, cercado de violência, pobreza, e uma grande injustiça social, nesse caso nada mais justo do que estudarmos nosso passado. As respostas para as nossas mazelas com certeza estarão lá.

    No Brasil de hoje, as estatísticas revelam que os negros ou afrodescendentes, apesar de representarem mais da metade da população, frequentam pouquíssimo a escola e menos ainda a universidade. Como resultado dessa opressão disfarçada, exercem os trabalhos mais desvalorizados e dessa forma ganham menos. De maneira que essa política tem resultado, cada vez mais, no aumento da população pobre. Mas, como esses brasileiros se tornaram tão pobres e miseráveis? A resposta vem quando se investiga o passado. Por isso, é hora de que a sociedade comece a discutir essa enorme dívida social com a população negra, pendente há séculos. Fato: política de cotas é ideológica sim. Da mesma forma que a discriminação racial sempre foi negada, dentro e fora do Brasil, como se não existisse.

    É preciso entender que a desigualdade no Brasil tem cor, nome e história. Esse não é um problema dos negros no Brasil, mas sim um problema do Brasil, que é de negros, brancos e outros mais. Um povo sem memória é uma sociedade sem história. E sem uma história que resgate as suas raízes, uma comunidade é como alguém sem passado, sem tradição e, portanto, sem identidade e rumo.

  3. Comentário por Vica — 4.9.09 @ 2:14

    Concordo plenamente! Só um detalhe: esta matéria é do Diogo Schelp, o mesmo que denegriu a imagem do Che certa vez…

  4. Comentário por ITAMAR — 4.9.09 @ 13:24

    Parabens Helton, continue atento ao que a imprensa dita “seria” veicula e repudie sim, defenda seus ideais e ideologias contra a imprensa “livre e desinteressada” que esconde sua cara de conservadorismo, do mesmismo e que nunca se deixa ter certeza se e preta ou branca mas apenas cinza.

  5. Comentário por Nathália Butti — 4.9.09 @ 17:33

    Olá, Valéria.
    Favor fazer uma leitura mais minuciosa e atentar para o fato de que a matéria não é assinada por mim (“com reportagem de” apenas significa que contribuí com dados e personagens).
    Obrigada,
    Nathália

  6. Comentário por Nathália Butti — 4.9.09 @ 17:33

    Olá, Helton
    Favor fazer uma leitura mais minuciosa e atentar para o fato de que a matéria não é assinada por mim (“com reportagem de” apenas significa que contribuí com dados e personagens).
    Obrigada,
    Nathália

  7. Comentário por Helton Fesan — 4.9.09 @ 20:36

    Errata: Como deixado aqui nos recados, a matéria não foi assinada pela pela Nathalia Butti e nem pela Marina Yamaoka, portanto irei corrigir o texto. E sim por Diogo Shelp, que já tem um histórico como já dito pela Vica. o texto será corrigido neste ponto.
    Helton Fesan

  8. Comentário por Joyce Cristina — 5.9.09 @ 0:09

    Não preciso nem dizer muito, afinal estamos lado a lado e juntos nos indignamos com a reportagem, o fantástico é conhecer pessoas que fazem a diferença assim como você, a Vânia, a Mihoko e todos que tem colaborado com este blog.

    Amo-te

  9. Comentário por Rebecca Alethéia — 7.9.09 @ 12:57

    Olá Helton, muito boa sua postagem querido! Não era de se esperar que a elite branca que aliás faz parte, e é dona da mídia fosse a favor das políticas de igualdade racial, e esse tema os incomoda tanto por saberem que sofrem o risco de perder suas cotas de branco, porque essa sempre existiu! Mas dessa cota ninguém fala, porque no Brasil não há discriminação, preconceito racial …, somos todos brasileiros, este é o discurso clássico! Quando essas pessoas se beneficiam com o racismo e discriminação, continuar perpetuando é uma forma e manter-se no poder. Por isso encontraremos a VEJA atacando 2 ou 3 vezes por ano a população negra, porque nós os incomodamos! E temos que continuar a incomodar porque assim fez Malcon X, que sinceramente esses caras não sabem NADA do que é ser preto e preta nesse país.

    Abraços
    Rebecca Alethéia

  10. Comentário por Queridona — 8.9.09 @ 11:45

    Oi Queridão e Rebecca, espero que não me levem a mal, mas após ler seu comentário gostaria de fazer uma observação; visto que nada melhor que a troca de informações, idéias e ideologias, são em vão. Afinal, assim constitui o caráter de uma pessoa.

    Já escrevi, mas vale à pena repetir:
    “A discriminação racial sempre foi negada, dentro e fora do Brasil, como se não existisse. A meu ver é preciso entender que a desigualdade no Brasil tem cor, nome e história. Esse não é um problema dos negros no Brasil, mas sim um problema do Brasil, que é de negros, brancos e outros mais. Um povo sem memória é uma sociedade sem história. E sem uma história que resgate as suas raízes, uma comunidade é como alguém sem passado, sem tradição e, portanto, sem identidade e rumo”.

    Por que reescrevi isso, né?! Por causa de seu comentário: “Não era de se esperar que a elite branca que aliás faz parte, e é dona da mídia fosse a favor das políticas de igualdade racial…”

    Veja bem; não acho bacana esse rótulo que colocou “mídia da elite branca”, isso acaba sendo uma forma pejorativa. Ademais, vc está generalizando. Afinal, nem todas as pessoas pensam iguais. Outra coisa, o repórter, Diogo Schelp, da Veja, é um profissional polêmico que fez por merecer seu cargo. Caso, contrário ele não escreveria matérias que pelo menos “nós” ficamos indignados se não tivesse “costas quentes” dentro desse veículo de comunicação. Além disso, qdo se trabalha pra qualquer mídia, vc vai escrever o que eles querem e não o que vc quer. Essa história de imparcialidade é linda; mas literalmente, nunca é posta em pratica. Fica só na teoria.

    Qto. a Veja ficar publicando matérias que abordem questões raciais, isso é ótimo, não é?! Tudo tem dois lados….

    …vejamos por outro ângulo. Vc mesma disse que “a população negra incomoda”. E não é bom?! O ruim seria se não incomodasse; aí eles não venderiam revistas e não gerariam polêmica. A polêmica por si; faz as pessoas pensarem, refletirem, e infelizmente poucos os fazem. Se todos os veículos de comunicação publicassem explicitamente suas opiniões nas matérias sobre as “COTAS”, seria maravilhoso, porque fale bem ou mal, concorde ou discorde, mas fale das cotas; garanto que muita coisa seria diferente. Nem todos os negros tem consciência das cotas, ou dão importância a ela…e isso é Fato.

    Assim como nem todos os “brancos” tem curso superior completo, um excelente salário e quer alguma coisa da vida. Isso é muito relativo vai de pessoa pra pessoa, independente da cor de sua pele. Então, não achei legal vc dizer que “esses caras não sabem nada do que é ser preto ou preta nesse país”….entendi que se referiu a eles; mas outros tantos, como o azul, o amarelo, o vermelho, o lilás e a branquela azeda aqui, a qual lhe escreve, também não sabe.

    Eu sei o que é ser “branquela” e não é por isso que me julgo melhor que alguém. Ou que passei menos ou mais dificuldades que uma “preta”. Achei que a forma como escreveu foi preconceituosa aos brancos, por que??

    Isso eu falo por mim. Pra mim, não tem essa de branco, preto, azul, cor-de-rosa, ou, amarelo. De fato, eu vejo brasileiros mestiços de origem diversas, culturas variadas e cada um com seu valor, sua, crença, seu credo, todos diferentes o que faz TUDO ser bonito e exótico. As diferenças se completam quando se misturam……e é magnífico qdo há essa mistura toda, em que “cor de pele” é só pele e nada mais que isso….

    ….já reparou como todas as peles brilham lindamente expostas ao sol?! Isso é o brasileiro, um arco-íris iluminado com cores diferentes que não podem ser separadas, ao contrário, só são lindas porque vivem unidas. Elas acrescentam uma a outra e não subtraem beleza de nenhuma ao ser redor.

    Defendo fielmente as cotas, por uma questão de justiça, de ainda VER e ter que CONVIVER com muita gente preconceituosa; por perceber que esse problema ocorre não por causa da atualidade; mas por um passado que as pessoas ainda renegam. E não conseguem enxergam nada além de seus próprios umbigos.

    Bem, espero que não interprete de maneira errônea. Simplesmente não concordo em tachar as pessoas por suas “cores”, se é que me entendi?!

    Em suma, defino tudo que escrevi com uma frase de Voltaire: “Posso não concordar com uma só palavra que dizeis, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las”.

  11. Comentário por Helton Fesan — 8.9.09 @ 12:21

    Olá amigos,
    que bom que esta postagem gerou tantas manifestações, tanto aqui como no meu e-mail pessoal.
    Entendi a postagem da Rebecca e também da Valéria (queridona) duas pessoas que admiro imensamente pelo trabalho que r3ealizam e pela amizade que demonstram. Quando a Rebecca diz “Elite branca” não é no sentido pejorativo, é simplesmente por constatar que a elite do país é realmente branca e beneficia-se de uma politica de branqueanmento da sociedade que foi iniciada no inicio do século passado. A exptressão é usual nos meios academicos sobre esta discussão e não se refere a todos os brancos, apenas revela um país ainda dividido em matizes. Quanto a Veja e suas manifestações, se é verdade que o debate aumenta o conhecimento, também é verdadee que a campanha que ela faz contra as cotas só piora a discussão, por ser um jornalismo baixo, desleal e tendencioso. Veja o exemplo de outra manifestação em que o Demétrio atacou o professor Kabengele. A Veja não publicou a resposta, mas só na internet, inclusive neste blog, achamos a resposta na integra do professor. Quanto ao jornalista Diogo não acho ele polemico, mas sim equivocado. Não aceito a desculpa de que o jornalista publica o que mandam e pronto, sou idealista e ingênuo. Ainda acredito no jornalismo ideológico e sei que a coragem tem um preço.
    Por fim, repito: Não quero um país dividido, mesmo porque não preciso querer pois ele já tá dividido no momento. Quero um país igual pra todos.
    Bom é isso. Amo as duas amigas e sou grato pela colaboração delas no meu blog, o que o enriquece imensamente.

    Abçs Helton Fesan

  12. Comentário por Queridona — 8.9.09 @ 16:50

    Olha, infelizmente, ainda, não aprendi a escrever “comentários” pequenos. Meus comentários são verdadeiros posts dos posts…rsrs. Com o tempo eu aprendo….rsrs.

    Queridão, que Deus mantenha essa sua ingenuidade quanto ao conteúdo divulgado na mídia. Infelizmente, trabalhar em um veículo de comunicação de grande porte, principalmente, editora Abril, Globo, Record, Bandeirantes, Grupo Estado, Grupo Folha, entre tantos outros do mesmo tamanho; as pautas são definidas de acordo com o Lucro. Quanto aqueles veículos pequenos, os de bairro então, melhor nem citar…tudo é definido de acordo com os anunciantes que pagam pouco (no caso do jornal de bairro), mas o suficiente pra ditar as matérias.

    Sabe qdo a Veja vai apoiar a questão das cotas? Qdo houver um interesse nisso; ou seja, qdo ela ganhar algo em troca. Tudo é uma questão de barganha.

    Infelizmente, a meu ver – que fique claro; as ideologias ficaram apenas pra nós, pobres mortais e pensadores. Nós que paramos para refletir sobre os percalços da humanidade e de uma forma direta ou indireta “tentamos mudar algumas situações”; afinal sabemos q somos incapazes de mudar o mundo.

    Nós que damos nossa cara à tapa pra usarmos nossos blogs como meios de discussões imparciais, onde respeitamos e aprendemos com as respostas que recebemos; mesmo sem aceita-las em primeiro momento. Por tudo isso, temos o direito de nos sentirmos indignados e injustiçados e cobrarmos; cobrarmos mesmo tudo aquilo que falamos ou acreditamos quando usamos nosso poder mais valioso no mundo da democracia. O voto.

    Porém, esse, é o que realmente nos dá direto de escolhermos “governantes melhores” que façam, ou, pelo menos tentam lutar, por um país melhor, com dignidade e igualdade a todos, sem discriminação de raça ou credo…pena que estamos longe disso, porque precisamos de uma parte imensa da população que queira acreditar em seu poder de voto. Enquanto isso cabe, somente a nós mesmos gritarmos por essa igualdade e lutarmos, como vc mesmo disse “não estamos separando, mas sim unindo; não estamos querendo privilégios, mas equilibrar uma equação cruel e desumana”

    E assim, fazemos nossas escolhas e definimos onde podemos chegar com nossas idéias, ideologias e esperanças. Acho que esperança é o que mais temos; além da coragem é claro. Um exemplo de ideologia, básico, são os partidos políticos. Quanta ideologia há em cada um??! Antigamente as pessoas se filiavam a algum partido porque se identificavam com suas ideologias e hoje, essas mesmas pessoas trocam de partido como trocam de roupa. Então, Queridão, onde estão as ideologias?! Na moeda de troca; “atuo no partido ao qual me dá mais lucro”, infelizmente esses ideologistas se renderam aos cifrões; e garanto não são poucos.

    A mesma coisa acontece com os veículos de comunicação. Vc acha que aquela briga que o Estadão arrumou com o Sarney é meramente pra mostrar que ele não vale e nunca valeu nada? Após o Estadão descer a lenha, vem o jornal O Globo divulgando às mesmas barbaridades cometidas pelo “digníssimo” presidente do Senado. Vc acha que tudo isso é pra alertar o povo? Piada, né?!…rsrs. É só observar que as melhores matérias saiam no domingo e que andava faltando anuncio no Estadão…além disso, essa “rinchinha” rendeu quanto ao grupo Estado que é uma das Agências brasileiras que mais vende matérias ao exterior $$$$. Tudo são cifras e mais cifras. Se não fosse, meu amigo, por que os jornalistas, principalmente de política, teriam seus blogs elaborados dentro do mesmo veículo de comunicação que trabalham?! E se querem falar mal de alguma coisa ou fato que não podem publicar, utilizam um blog com um pseudônimo – essa moda voltou com tudo no momento atual.

    Indo, pouco, mais um “tiquito” além, outros fazem igual ao jornalista, Marcos Losekann, diretor do escritório da TV Globo, em Londres, que lançou seu 3º livro. Onde ele deixa nas entrelinhas o que é realidade e ficção, fatos que presenciou em várias coberturas e que não podia ir ao “ar” na Globo por uma questão política; meramente de interesses. Daí ele cria um repórter fictício; o repórter AGV (Anderlon Gonçalves Valderez) que se envolveu com a morte do seringueiro Chico Mendes enquanto investigava casos de pedofilia na Igreja Católica, acompanhou o impeachment de Fernando Collor de Mello buscando pistas sobre um quarto poder, e, agora, está diante de uma suposta conspiração envolvendo a morte do tesoureiro do ex-presidente, PC Farias e organizações neonazistas. É assim, misturando realidade e ficção, que o jornalista, Marcos Losekann, encerra sua trilogia Entrevista com Deus, lançando o volume Entre a Cruz e a Suástica; um projeto que vem sendo construído desde 2006.

    Até mesmo, Caco Barcellos, companheiros de emissora, foi discretamente “enviado” pro exterior, coincidência ou não, foi pra Londres, após lançar o livro Rota 66 - A História da Polícia que Mata. O livro retrato 55 mil crimes de morte por ano. Vítimas desarmadas, indefesas, apavoradas com a perseguição policial, amedrontadas com os tiros inconseqüentes disparados e, enfim, mortas, com requintes de crueldade, já que o número dos disparos foi muito além do necessário para o homicídio.

    Poxa, Queridão, vamos falar de alguém que conhecemos. Que tal em uma campanha política, a de 2006, uma amiga sua jornalista e assessora de imprensa. Quer mais peixe pequeno que ela, que nessa campanha sofreu dois atentados políticos. Por isso, que te falo…a mídia dança conforme a música ditada pelos “grandes”, onde a liberdade de impressa não existe mais….

    Bom, não quero te convencer que os jornalistas escrevem o que mandam; prefiro que continue acreditando em sua “ideologia de coragem” e que um profissional que trabalha na Veja, mesmo sendo equivocado como o Diogo, arcará com todas as conseqüências de perder seu MTB caso alguém o processe por essa ou por outra matéria. Ah! também continue acreditando que a Nathália pediu uma errata porque ela não gosta de injustiça e só “colaborou com a reportagem”.

    Não é por nada; mas se eu trabalhasse lá, estando amparada por todo jurídico como eles estão; não iria me importar nem um pouco sobre o que os blogs escrevessem sobre mim; caso o que foi publicado fosse realmente o que penso. Se for contra as cotas e escrevi isso; Amigo que venham as criticas.

    Lamento….não quero destruir seus sonhos. E muito menos os meus, por isso, mantenho também certa inocência às vezes, pensando que um dia será diferente. E que a época que os jornalistas escreviam o que realmente queriam vai voltar….sonhos. Sonhos esses que alimentam a alma e nos mantém vivos e esperançosos.

    Por fim, também não gosto de ver que nosso país é dividido, isso muito me entristece. Ah! em momento algum, também, quis magoar a Rebecca. Só discordei do que ela escreveu por ter tido uma interpretação diferente da sua, visto que a conhece e sabe bem do que ela está se referindo e eu não a conheço e entendi de outra forma. O que é normal. Da mesma maneira ela pode ter entendido o oposto do que quis transmitir. E é por isso que me agradam os blogs. Somente nesses espaços podemos difundir idéias; discutir pontos de vistas diferentes e criar manifestações sadias e criativas. São nessas trocas de opiniões que somos capazes de rever nossos próprios conceitos e aprender com os outros. Afinal a correria do dia a dia não permite que marquemos encontros para debatermos assuntos polêmicos e importantes como esse das cotas, então os faremos pelos blogs. Certo?! Temas assim, só enriquecem nossas vidas.

  13. Comentário por Helton Fesan — 8.9.09 @ 20:11

    É por isso que internet está revolucionando o modo de ler e entender o mundo. Aqui se discute, aqui se pensa, aqui se aprende.

    Valeu Queridona.

    Ps1: Muito pertinente o post sobre ficha limpa em seu blog. gostei e indico.

    Ps2: A matéria contra o Kabengele, “monstros tristonhos” foi publicada no estadão e nenhum dos “grandes” veiculos impressos publicou a resposta. Mas os blogs sim!

  14. Comentário por Queridona — 9.9.09 @ 12:45

    Queridão fico feliz que tenha gostado do post FICHA LIMPA, as informações contidas lá nos serão uteis para as sérias restrições pra não dizer, impraticáveis, ao livre uso da internet que o Senado vota hoje pra decidir se haverá ou não restrições à internet na eleição do próximo ano e consequentemente nos outros que virão.

    Acabei de blogar:
    SENADO DECIDE SE RESTRINGE COBERTURA ELEITORAL DA INTERNET

    http://valeriaamoris.wordpress.com/2009/09/09/senado-decide-se-restringe-cobertura-eleitoral-da-internet/

    e o texto da emenda na integra, INTERNET NA REFORMA ELEITORAL

    http://valeriaamoris.wordpress.com/2009/09/09/internet-na-reforma-eleitoral/

    Se votarem de acordo com esse projeto a internet deixará de ser o modo de ler e entender o mundo….pro nosso azar, visto que os blogs estão sendo citados e crucificados para dar inicio a censura à web.

    Espero sua visita e seu importante ponto de vista.

    Bjs,

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