Universo Fesânico

literatura, cinema e inomináveis… a ótica fesanica das coisas.

24.1.09

A VIDA É UMA ESCOLHA

Fábula dos Caminhos

 
Conta à lenda que uma bruxa má com inveja do futuro promissor de um jovem valente, lhe fez um desafio em público:
- Vamos fazer um joguinho, você terá que escolher uma porta de destino e nunca, nunca mais poderá mudar, pois ninguém muda o destino. Se escolher errado, será infeliz para o resto da vida.
O jovem orgulhoso e valente diz:
- Tudo bem, eu aceito! Uma porta me levará à felicidade e a outra à infelicidade.
- Não queridinho, não é bem assim, agora que já aceitou, uma te levará à felicidade, e às outras um milhão trezentas e setenta e duas e meia para a infelicidade eterna.
- Mas isso não é justo.
- É por isso que me chamam de bruxa má. He he he.
Também havia uma bruxa boa, que, compadecida da situação do jovem, interligou todas as um milhão trezentas e setenta e duas portas e meia, de modo que o jovem podesse escolher qualquer destino, pois sempre existiria uma trilha, mesmo que mais demorada ou difícil, que o levaria de volta ao caminho da felicidade.
Para compensar essas dificuldades e demoras ela lhe deu uma coruja, que lhe guiaria nas trilhas, um arco e espalhou por todo o labirinto de caminhos flechas que lhe defenderiam dos perigos. Quanto mais longo o caminho, mais flechas o jovem acumularia.
Por fim, a bruxa boa pediu em troca de tanta gentileza que ele lhe desse seu coração, para que ela guardasse em lugar seguro até que ele voltasse, o que foi atendido.
Após a partida do jovem, a boa bruxa pode então completar sua obra, colocando em seu coração o espirito de aventura e guardando-o consigo.
Assim, guiado pela coruja e protegido pelas flechas, o jovem não teve medo de escolher, pois qualquer caminho lhe faria feliz.

……………….

A vida é uma escolha

Escolher é perder algo?
Sempre que escolhemos um caminho, necessariamente trancamos a porta de outro?
Se pensarmos assim a escolha é uma pena. Um castigo.
Neste caso, estamos entrando no joguinho da bruxa má.
Mas pensemos em outra situação, em que os caminhos podem ser trocados. Em que o viajante pode mudar de rota.
Ele não só terá aprendido algo durante o tempo que esteve em uma trilha, como irá a cada mudança, feita com sensatez e racionalidade, ficar mais perto de seu objetivo.
Não se pode perder o objetivo e o objetivo é ser feliz.
Seja determinado em ser feliz. Tenha essa atitude.
Humildade é importante, ouça outras opiniões com sinceridade, mas mantenha sua independência na hora de decidir.
Você é o moderador da sua vida.
Seja realista sobre você mesmo. Não mascare seus defeitos, ou suas deficiências. Mas também não se maltrate. Goste de você e se elogie sempre que puder.
Dê uma chance ao mundo, mas não seja ingênuo. Sabemos que ele anda mal, que se precisa concertar muita coisa e que é difícil, mas nós somos os músicos, e esse “nós” inclui você.
É normal se sentir indeciso, faz parte do jogo. Mas tenha coragem de decidir na hora H. Não se assuste com o labirinto, pois, todos os caminhos podem ser mudados.
Divirta-se com essa aventura.
Profissão você achará em algum curso, mas, CARREIRA, isso você só acha no seu coração.

Helton Fesan, é escritor, advogado e consultor.

Ps: reparem que o "concertar" do texto é de concordar, combinar, fazer junto (o mundo precisa de gente concertando na mesma ópera). Também precisa de conserto mas isso é outra escolha. 

criado por helton.julio    20:01 — Arquivado em: Gestão de Pessoas, crônicas

22.1.09

PODEMOS?

São tempos difíceis, mas, outrora já o foram.
Porém, eu não vivo o outrora, vivo o hoje.
E o hoje me corta a carne e pergunta com escárnio: Você vai fazer o quê?
Eu não sei é a única resposta adequada. Aliás, não saber parece ser a maldição que acompanha minha geração.
Não sabemos quem somos nem no que crer. Não sabemos em quem confiar nem qual caminho seguir. Não somos vanguarda e pouco aprendemos de nossos pais.
São tempos de esperança. Um novo mundo anunciou-se com um presidente improvável na maior potência do mundo.
Alguém que parece conhecer o caminho. Um cara que diz que “sim, nós podemos”. Podemos?
Nós quem?
Desculpe-me se pareço particularmente pessimista e melancólico, mas acontece que o dia é chuvoso e casas desabam nas encostas. Enquanto reclamo do povo que joga lixo nas ruas, entupindo bueiros, desperto para o fato que eu sou o povo.
O que me cabe nesta sociedade? Qual meu papel diante da chamada crise.
Talvez não jogar o lixo na rua e ter esperança (ou hope) no presidente de outro país.
Mas não, não estou podendo!
Enquanto o mundo aperta o cinto, um governo medíocre encomenda gastos com cadeiras para lá de exorbitantes. Não, não estamos podendo!
Sou eu (e somos) o chamado cidadão de classe média que tenta desesperadamente viver de forma digna, pagando impostos, gerando empregos e respeitando o emprego que me oferecem, e, mesmo assim, sou (e somos) oprimidos com juros que nada produzem além da miséria e pobreza de quem trabalha. Não, não estou podendo!
Acompanhar a escalada da violência, e ver no noticiário que além do tráfico, do roubo, do seqüestro, ainda temos que conviver com a idéia de milícias de ex-policiais. Não, não estamos podendo!
Ver ano à ano a educação básica ser deixada em último plano, criando uma escola sem atrativos e despreparada para realmente educar. Nossas crianças encontram mais futuro em angariar moedas no farol com deprimente apetrecho circense do que nos bancos da escola. Não, não estamos podendo!
Votar em políticos que defendem abertamente a idéia do nepotismo, revelando acharem comum, coisas como negociatas e mercado de favores (um tapinha nas costas e um depósito em conta). Não, não estamos podendo!
A impunidade dos ricos. Dos filhinhos mau criados que matam, estupram, queimam vivos, jogam crianças pela janela, espancam domésticas e cometem todo tipo de atrocidade sem temer a pena que é imposta aos outros, pois são de outra classe intocável. Não, não estamos podendo!
E não podemos também conosco. Sentindo alívio e paz na consciência por repassarmos correntes na internet, textos inflamados, críticas ferozes no mundo virtual e sermos verdadeiros palermas no mundo real.
Parvos! Pois repetimos dia-a-dia os erros que nos fizeram ser esta sociedade vergonhosa. Quanto de nosso tempo é doado para educar quem menos tem. Nossos filhos mimados e criados a nossa imagem e semelhança são jovens inúteis. Não se engajam em absolutamente nada produtivo. São cybers, havys, emos e sabe-se lá mais que baboseira. Mas não somam em absolutamente nada.
Melhor eram os iludidos cara pintadas, pois, iludidos ou não, tentaram. Fazendo farra ou não, tentaram. Hoje, não estão nem aí. Buscam ser diferentes e acabam sendo iguais aos pais (vazios). Não, não estamos podendo!
Gostaria de iniciar um novo tipo de brasileiro. Um brasileiro sem desculpa, sem esperteza, que faz o que precisa ser feito e cobra o resultado devido. Um brasileiro orgulhoso e trabalhador. Não precisa ser sisudo. Que continue alegre e divertido, mas, que não ria como um débil diante da desgraça e da corrupção.
Um novo conceito de povo, que preze o coletivo acima do individual. Que respeite as leis que criarem e que tenham coragem e pressa de modificar as leis que estiverem ultrapassadas. Um povo que, diante dos maus hábitos e maus costumes, levantem-se e digam: “Não, não estamos podendo!”

criado por helton.julio    10:28 — Arquivado em: crônicas

21.1.09

ATLETA

FESAN

criado por helton.julio    14:50 — Arquivado em: charges

20.1.09

EM BUSCA DA FORMA

IMPROPÉRIO

Queria escrever como Machado
(impossível)
Como Rosa
(improvável)
Como Coelho
(Impensável)
Escreverei como eu mesmo
(foda-se!)

                                                              GÊNESIS 

                                                       No princípio era o verbo
                                                         E o verbo se fez carne,
                                                             Mas entre o verbo e a carne 
                                                                 Tem que haver alguma coisa…

SABER

Entenda que estes poemas
Não tem métrica
Se os escrevo assim
(em estrofes)
É para ser pernóstico.

                                                                                                        Licença Poética 

                                                                               Só os de alto conhecimento
                                                                           Ou bem apadrinhados
                                                                       Podem ser pernósticos
                                                                                                              Os outros 
                                                                       Sempre dão a impressão
                                                                         De não saber nada.

Opção

Não vou contar
L e t r a s
Para   escrever
Poemas
Eu prefiro
Improviso

                                                          SEM ELIPSE 

                                                      Larga desse vício 
                                                 Ele vai acabar te vivendo 
                                                         Deus me livre 
                                                    De (perder) a morte!

Helton Fesan

criado por helton.julio    10:28 — Arquivado em: Prosa e Poesia, literatura

12.1.09

SARAU AFRO MIX

DIAS 13 e 15/01

Se você mora em São Paulo, queremos convidar você, familiares e amigos para participar do Sarau Afro Mix.

Minipalestras:

- A Poesia Afro e o Rap

- Atualidade de Lima Barreto

- O 13 de maio e a poesia afro-brasileira

Participação: Joyce Cristina Rodrigues, Sergio Ballouk, Tico de Souza, Esmeralda Ribeiro, Helton Fesan, Márcio Barbosa

Haverá também a participação especial da cantora Lia Jones, do rapper Raphão Alaafin e de Cosme Nascimento na percussão

Haverá uma roda de poemas. Leve seus textos.
Alguns poemas serão selecionados para fazer parte de um livreto.

Datas:

13 de janeiro de 2009, das 16h às 18h. Local: CEU Caminho do Mar, na Av. Eng. Armando de Arruda Pereira, 5.241 – Jabaquara. Entrada Franca.

15 de janeiro de 2009, das 19h às 21h. Local: Casa de Cultura da Penha, Largo do Rosário, 20 – 3º andar. Entrada Franca.

O objetivo do Sarau é refletir sobre os 120 anos de assinatura da lei áurea a partir do ponto de vista da literatura afro. O que mudou? Quais as perspectivas hoje? Como isso se reflete na poesia?
É inegável que a poesia negra, que pode ser expressa de forma escrita, em livro, por exemplo, mas também no canto, como no rap, desempenha o papel de levar à reflexão, de estimular a ver o mundo com um outro olhar, a ver de forma nem melhor, nem pior, mas diferente.
A literatura, assim como o hip hop e os blocos afros, tem procurado, nos últimos trinta anos, usar a tradição para fazer uma leitura do mundo moderno.

Já a roda de poemas é um espaço aberto para a leitura/declamação de poesias, seja sobre quais temas forem. O importante é que a poesia transmita emoção.

As primeiras edições do Sarau Afro Mix ocorreram em 2002, na Biblioteca Mário de Andrade, centro de Sampa.

A participação é aberta, mas quem se inscrever até 12/01 pelo site www.quilombhoje.com.br  vai ter direito a um certificado.

criado por helton.julio    12:06 — Arquivado em: consciencia negra, literatura, quilombhoje

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