Universo Fesânico

literatura, cinema e inomináveis… a ótica fesanica das coisas.

28.11.08

PÓS 20 DE NOVEMBRO

Depois das comemorações do 20 de Novembro, vem o saldo.
Críticas maldosas nunca faltam. Gente inconformada com existência do feriado também não. Mas isto não é novidade, tem gente que não se conforma com a diversidade e disfarça o ódio dizendo que é outra coisa.
Outra coisa aliás é a felicidade de quem comemorou a diversidade nas cidades em que o feriado existe. Mesmo assim, a existência da data não garante a festa. Foi mais um ano de luta com o orçamento municipal para que garantissem ao menos o mínimo de estrutura para as festividades. Em muitos municípios tais recurso deixaram a desejar e a iniciativa popular foi quem teve que bancar a duras penas com esta estrutura.
Mesmo assim a festa foi bonita. E para filho bonito não falta pai. É comum o discurso contente e satisfeito sobre a “população negra” de quem não moveu uma palha em prol da festividade.
No Brasil é assim mesmo.
Na minha cidade, Santo André, houve a festa e os absurdos. Deixo os links abaixo sobre a festa e sobre o absurdo.
A festa foi linda e apenas a rádio ABC e a equipe de reportagem da faculdade metodista fizeram cobertura.
Já a CRAISA, ofereceu bananas para os participantes. Isto demonstra o desresppeito que ainda impera contra a população negra.
Duas opções: Ou o representante da CRAISA é racista e cruel ou não conhece e não está nem aí para a política de inclusão de Santo André e para a luta por igualdade de nossa população.
Nos dois casos é vergonhoso.
Vejam as reportagens e tirem suas próprias conclusões.

Agradecimentos especiais aos reporteres Rodrigo da Radio ABC e Michelle da Metodista.

http://www.youtube.com/watch?v=AXYRkRgpUQ8

Helton Fesan

Outros links bem mais oportunos…

http://www.metodista.br/rronline/cidades/falta-de-apoio-a-comemoracao-da-consciencia-negra-deixa-organizadores-decepcionados/

http://www.metodista.br/rronline/cidades/veja-a-programacao-do-20-de-novembro-em-santo-andre

http://www.metodista.br/rronline/cidades/capoeira-hip-hop-e-samba-representam-cultura-negra-em-s-andre

criado por helton.julio    15:39 — Arquivado em: consciencia negra, direito

17.11.08

A Musica

Longe do talento de Maurício Pestana, cujo link está logo ali ao lado, ou mesmo caras como Glauco e Angeli entre outros, vai aí uma brincadeira inspirada em momentos de puro ócio.

 

 

 

 

 

 

Fesan

criado por helton.julio    14:19 — Arquivado em: charges, consciencia negra

12.11.08

ONDE O CALO APERTA

Quem pensa pra falar sapato?
Sapato se usa, se pisa, se anda, se compra. Até se admite especular certos aspectos, formatos… Bico fino, com salto, sem salto, preto, marrom… Se tem ou não cadarço… Mas é só.
Não se justifica uma filosofia sobre sapatos. Há comerciais, claro. Há designers. Industrias, mercados. Mas vejo nisso também um interesse exacerbado.
Não, definitivamente, não se pensa sapatos.
Na verdade, economiza-se meses e meses pra comprar um par.
Mas isso porque é necessário. Não se admite alguém andar por aí descalço.
Tem aquela estória do vendedor de sapatos que vai para a África, lembra?
“Pode investir porque aqui ninguém usa sapato…”
Mentira.
Mesmo lá tem gente que usa sapato. Só não usa quem não precisa, quem mora na rua, nas favelas…
Também vai usar sapato pra quê? Nem comem, vão pensar sapatos?
Então… Tá vendo? Ninguém pensa sapatos.
Só aqui, neste país de terceiro mundo, que um jovem cheio de futuro, recém aprovado no vestibular, de boa família, é morto esfaqueado porque tinha um bom sapato. Aqui é assim, mata-se e morre-se pelo pé calçado. Mas ninguém pensa sapatos.

Helton Fesan

criado por helton.julio    23:29 — Arquivado em: Prosa e Poesia, consciencia negra, literatura

11.11.08

Introdução 20 de Novembro

Você já pensou na importância da introdução? 
A priori, esta pergunta pode parecer de resposta obvia, porém, olhando mais de perto é a introdução uma grande injustiçada. É aquela que está em todo livro, porém raramente é lida, ou, em melhor dos casos, é lida com desdém. Importa hoje, em uma sociedade imediatista, saber o resultado. Não se dá nem os primeiros passos e já se busca conhecer o fim. Observe a si próprio, fiz apenas uma introdução, e você já deve ter pensado : onde esse “cara” quer chegar?
Tudo bem, tudo bem… Tentarei ser mais conciso. Perceba que não é só nos livros que ignoramos a introdução, na vida também fazemos este absurdo o que é ruim para qualquer pessoa, porém, para o profissional do Direito é um completo desastre.
A introdução é saber onde tudo começou, saber qual foi a motivação do fato e qual o objetivo da criação da coisa. Percebe que na vida muitas vezes erramos por não saber os “motivos” ou os “interesses” das coisas. Gostaria então de lhes dar uma pequena introdução do que é o dia 20 de novembro.
Novembro é o MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA, para este termo, cabe uma breve introdução. Ocorre que durante um dos capítulos mais vergonhosos de nossa história adotamos a escravidão de um povo como base econômica e para a manutenção deste sistema foi criado um processo cruel onde se pretendia tirar a identidade da população negra. Foram proibidas a dança, a língua, a arte, os cultos religiosos e tudo mais que lembrava a identidade daquele povo. Até os nomes Africanos foram trocados e as famílias foram separadas para que não pudessem se organizar, ou seja, além da liberdade queriam tirar-lhes também a identidade, a consciência de quem eles eram. Nesta luta para conservação da consciência e retorno para a liberdade, destacou-se ZUMBI, o grande general do Quilombo dos Palmares, que por esta luta foi morto em 20 de novembro de 1695.
Viu como é importante a introdução, você acaba de ser introduzido no maravilhoso mundo da IGUALDADE, lembramos do 20 de novembro como o dia que um mártir morreu por querer um Brasil igualitário, por querer um Brasil livre. Aliás, voltando ao Direito, hoje esta na nossa Constituição, como princípio maior, o direito a Liberdade, assim como o direito a Vida, o Princípio da Isonomia (todos somos iguais) e quem sabe um dia, algum jurista (pode ser você) ira propor o direito a Consciência Humana, que trará em sua redação legal, que “todos tem o direito de saber e manter suas origens na forma de costumes, tradições, língua e qualquer outro meio legal”,ou simplesmente “DIREITO À PRÓPRIA INTRODUÇÃO”, é algo a se pensar.
Pra finalizar, lembrarei o início da ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL, nesta introdução histórica, citarei seu primeiro Presidente, o Sr. Dr. Francisco Gê Acaiaba de Montezuma, médico e advogado negro, que foi fundador da OAB. Abolicionista, defendeu juridicamente e de forma implacável a libertação de todos os escravos brasileiros sem nenhum tipo de indenização para os seus detentores. A introdução é assim, nos traz para o mundo das informações completas e nos afasta pra sempre do vale da ignorância. Imagine que absurdo um associado da OAB declarar-se preconceituoso ou mesmo racista. É claro que esta controvérsia não ocorre, mas se acaso ocorrer, pode ter certeza, é falta de uma boa e completa INTRODUÇÃO.

Helton Fesan
é advogado e escritor.

criado por helton.julio    13:18 — Arquivado em: Sem categoria

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