16.11.10
A LIBERDADE QUE A CHUVA TRAZ
Extraido do livro Cadernos Negros 27
Extraido do livro Cadernos Negros 27

De vez enquanto comentarei filmes e na maioria que já estão em DVD. São dicas para aquela corridinha na locadora antes que todas entrem em extinção.
Assim dá para dar pitaco até nos extras.
Vou começar a cinelosofar sobre esta película que traz Danzel Washington como protagonista e produtor, e os irmãos Huhges como diretores.
Aliás, puxação de saco de ator e diretor nos extras é modalidade nova em DVD. Depois do filme, assisti tanta gente elogiando o Denzel e sua determinação como ator que quase desconfiei que isso era cláusula do contrato para ele atuar e produzir o filme.
Legal ver os negritos dos states em ação, produzindo, filmando, fazendo din-din e tudo o mais.
Inspira-nos a dizer de peito cheio: “I have a deam”
Mas vamos ao filme.
Um tempo atrás escrevi sobre o filme “filhas do vento” de Joel zito Araújo. Sabe aquela vontade de elogiar o filme e dizer putz, é do c… A negrada arrebentou e tal…
Eu tive essa vontade na época, mas não deu. Faltava muita coisa no filme e então ficou tudo no mais ou menos razoável.
Com o Livro de Eli foi a mesma coisa. Pipoca na mão, esparramado no sofá, tela grande, home theater. Começa o filme e vem aquele visual de quadrinhos inconfundível com o passeio do herói.
Noooossa, vai ser um filmão.
Primeira cena de luta no túnel traz uma idéia interessante de sombra, mas a coreografia é fraquinha e o jogo de câmera poderia ser melhor.
Continua o filme, continua a expectativa e pouco a pouco a síndrome de jogo da seleção vai tomando a tela.
Explico: Do jogo da seleção brasileira se espera tudo, do paraíso ao apocalipse. Da equipe lutadora ao indivíduo gênio. É o melhor elenco com a melhor torcida com o maior número de títulos. Ufanismo na veia.
Da seleção sempre se espera um jogão.
De um filme protagonizado e produzido pelo senhor Denzel e dirigido por negros gêmeos de Detroit se espera um filme polêmico, inquietante, transgressor, com uma metáfora da vida muito forte.
Um filmão.
Mas assim como na seleção o técnico muita vez é um retranqueiro que parece ter nascido na chéchenia, e os noventa minutos de glória são transformados em chatice sem precedente. Na promessa de filmão dos irmãos Huhges tudo fica morninho, morninho.
A idéia central do filme é muito boa, mas é justamente aí que a coisa enrola.
Os deuses da criatividade deveriam ter a decência de só contemplar com grandes idéias gente competente para executá-las ou conscientes o suficiente para terceirizar o serviço.
O pessoal menos experiente e talentoso deveria ficar com as idéias medianas.
Um milhão de vez já ouvi a pergunta: o que é escrever?
Costumo responder a mesma coisa sempre: “Escrever se divide em duas partes: a gostosa – na qual você tem um insite, uma iluminação da alma que nasce das mais improváveis coisas. A difícil – na qual se tenta com muito trabalho e técnica não estragar a idéia que se teve”.
Um dia ainda consigo diminuir a frase e fazer uma máxima, por enquanto sigo estragando a idéia.
Mas o fato é que tanto para escrever quanto para dirigir filmes é preciso um cuidado estremo para não desandar a massa.
O livro de Eli é a estória de um sobrevivente pós-apocalipse que vaga com um livro que pode mudar o mundo e trazer de volta a esperança à humanidade (mais ou menos isso).
Quais são as tramas?
Um vilão quer o mesmo livro para usá-lo para o mal.
As pessoas vivem em uma terra sem lei e sem valor moral.
Escassez de recursos naturais.
Pragas e epidemias pós-apocalipse.
E por fim, mas não menos importante (principalmente neste filme) a falta de fé.
Com esta riqueza de temas, tentem adivinhar quantos deles o filme aprofunda. Dou-lhe uma…
Acertou quem respondeu nenhum. (Eta timinho retranca, joguim ruinziiimmmm).
Para finalizar, senão estrago o filme de vez, o final não convence e parece colado com cuspe.
Mesmo assim assistam, comentem e me desmintam, ou não.
Fica a dica: O livro de Eli, catálogo para quem não espera grande coisa.
Helton Fesan não entende nada de cinema
AMANHÃ 10/11 MINISTRAREI O 1º ENCONTRO DA
OFICINA DE LITERATURA AFRO
EXISTE UMA LITERATURA ÉTNICA
LOCAL :
Praça do Carmo, 171, Centro Santo André - SP
Telefone:
o11 4992-7218
HORÁRIO: 19:00H
A oficina trará uma pequena amostra e análise de uma literatura que surge a partir da vivência e percepção do negro no mundo, Analisando livros como “Omeros” de Derek Walcott; “Niketche – Uma história de Poligamia” de Paulina Chiziane; “Um Defeito de Cor” de Ana Maria Gonçalves; “Meio Sol Amarelo” de Chimamanda Ngozi Adichie; Além de autores da série Cadernos Negros – Quilombhoje.
Como oficina, buscar-se-á como produto final a introdução à questão da existência ou não de uma literatura étnica, e, existindo, a que se dá este fenômeno.
À grosso modo, pergunta-se:
Literatura tem cor?
Em dois dias de troca, buscaremos não uma resposta, mas, a necessária provocação.
1º dia - 10/11 - “Omeros” de Derek Walcott; “Niketche – Uma história de Poligamia” de Paulina Chiziane; Autores da série Cadernos Negros – Quilombhoje entre outros.
2º dia - 17/11 - “Um Defeito de Cor” de Ana Maria Gonçalves; “Meio Sol Amarelo” de Chimamanda Ngozi Adichie; Autores da série Cadernos Negros – Quilombhoje.
QUERIDOS AMIGOS
Como este blog tem dado muito problema técnico, (principalmente para os que tentam postar comentários) causando dor e sofrimentos para meus amigos (todos que visitam são considerados amigos), resolvi mudar de casa.
Por enquanto está vazia, sem mobilia e tal… mas em breve teremos tudo e mais um pouco por aqui.
Este endereço continua no ar por enquanto e as matérias mais comentadas e ou pedidas irão para o novo endereço.
Aceito sugestões para o que deve ir para a nova casa e o que deve ficar. Vasculhem e me ajudem a decorar a casa nova.
Grande abraço!
Helton Fesan